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Diretrizes

Sérgio Ricardo entrega Plano de Metas Mato Grosso 2050 a candidatos; proposta busca distribuir desenvolvimento e reduzir desigualdades

Documento reúne diretrizes para os próximos seis mandatos e será apresentado, após a eleição, aos candidatos do segundo turno ou ao governador eleito

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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, encaminhou, nesta semana, o Plano de Metas Mato Grosso 2050 aos candidatos ao Governo do Estado e ao Senado. O documento orienta a gestão estadual pelos próximos 24 anos, período que corresponde a seis mandatos governamentais, e será apresentado à sociedade após as eleições.

Segundo Sérgio Ricardo, o plano foi pensado com a visão voltada para o cidadão e para a redução das desigualdades sociais. “Isso aqui não nasce de um lugar qualquer, de uma informação solta ao vento. Nasce de números, de prestação de contas do Estado e dos municípios”, explicou. “São sugestões, mas eu digo o seguinte: prestem atenção nessas sugestões”, completou.

Após a eleição deste domingo (4), o plano será apresentado na Escola Superior de Contas. Se houver segundo turno, o convite vale para os dois candidatos ao Governo. Se não houver, vale para o candidato eleito. Candidatos a deputado federal e estadual e demais interessados também podem retirar o material.

Elaborado sob coordenação do presidente da Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal (COPSFID), Valter Albano, o plano abrange as áreas social, econômica e de infraestrutura.

As diretrizes funcionam como referência aos gestores, sem caráter obrigatório, e não substituem o plano de governo de cada gestão. “Cada governo tem seu plano, mas o Tribunal vai estar sempre avaliando, por essas diretivas, se fez ou deixou de fazer aquilo que é a melhor diretriz. Não é uma diretriz absoluta. São trilhas para que se faça um bom governo”, afirmou Albano.

Avaliação dos candidatos

A entrega seguiu a agenda de cada candidato. Dos seis concorrentes ao Governo do Estado, cinco já receberam o plano: Natasha Slhessarenko, Wellington Fagundes, Maurício Coelho e Rafael Milas, pessoalmente, e Otaviano Pivetta, por meio de representantes. Sargento Laudicério não retornou aos contatos. Todos os candidatos receberam o documento por e-mail.

Natasha Slhessarenko agradeceu ao presidente do TCE-MT ao destacar a importância da iniciativa. “É um material riquíssimo, que vai nos ajudar muito a conduzir o Estado. O desenvolvimento econômico é extremamente importante, é o que faz Mato Grosso figurar entre os estados mais ricos do Brasil, mas precisamos também diminuir a desigualdade e ter desenvolvimento socioeconômico com distribuição de renda.”

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Wellington Fagundes, por sua vez, destacou o caráter orientativo do trabalho do Tribunal. “Esse plano, com certeza, será levado muito em conta, para que, durante a transição, tenhamos com o Tribunal de Contas e todos os Poderes a melhor orientação. É preciso aplicar bem os recursos e atender ao desenvolvimento do estado como um todo, fazendo com que os recursos promovam o desenvolvimento de todas as regiões.”

Para Maurício Coelho, o plano dá condições ao Estado de estabelecer prioridades. “Hoje, a prioridade do Estado tem de ser a diversificação econômica, que é pauta relevante dentro desse plano. O fato de ser um plano não para daqui a quatro ou oito anos, mas para 2050, significa que estamos olhando não para um governo, mas para uma continuidade de Estado”, afirmou.

Entre os candidatos ao Senado, o documento foi entregue a Coronel Darwin, Antonio Galvan, Mauro Mendes, Pedro Taques e a Carlos Fávaro, representado pelo 1° suplente Alexandre Schenkel. Aos demais candidatos, em virtude de conflito de agenda, o plano está sendo entregue em seus comitês e enviado por e-mail.

Distribuição do desenvolvimento

O diagnóstico feito com dados oficiais até junho de 2026 mostra que cerca de 28% da população, mais de 1 milhão de pessoas, vive na pobreza (15%) ou na extrema pobreza (13%). Além disso, a riqueza está concentrada em 7 das 22 microrregiões, e a indústria responde por 14,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, contra 33,63% da agropecuária.

Para Sérgio Ricardo, o modelo explica por que um estado rico convive com a fome e com a falta de alimentos básicos, como arroz e feijão, na mesa da população. “Hoje, Mato Grosso está recebendo estrutura, mas é estrutura para as grandes produções. Tem a ferrovia cortando o estado, mas é para transportar as grandes produções. E o feijão com arroz? E a carne possível na mesa do cidadão? É o social que precisa ser olhado.”

Tony Ribeiro/TCE-MT

Os estudos identificaram ainda que 82 dos 142 municípios de Mato Grosso estão sem exploração das suas vocações econômicas. “O crescimento econômico está concentrado em poucos municípios e em poucas regiões. O plano sinaliza que é preciso distribuir o desenvolvimento, ampliar a cadeia produtiva e diversificar a produção”, explicou Albano.

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Diante do cenário, uma das propostas é integrar esses municípios aos que têm crescimento econômico, em modelo semelhante ao da integração entre agroindústrias e pequenos produtores. Outro eixo é criar oportunidades de trabalho e renda para quem depende de programas de transferência de renda.

“Nós reconhecemos o potencial do empresariado e da própria economia, mas o Tribunal de Contas tem certeza de que só quem pode promover essa distribuição do desenvolvimento é o governo”, ressaltou Albano. “O que nós discutimos no plano é criar oportunidade de trabalho, para que a pessoa, trabalhando, tenha uma renda melhor. Não é para excluir ninguém dos programas de apoio. É para melhorar”, acrescentou.

Baixada Cuiabana

Segundo Sérgio Ricardo, o plano dá atenção especial à região do Vale do Rio Cuiabá, cujos 13 municípios reúnem cerca de 5 mil propriedades improdutivas às margens do rio e 93 favelas. Ele destacou que a proposta prevê levar energia e água para irrigação a essas áreas e transformar a região em polo de produção de alimentos.

“Nós queremos orientar os futuros governadores. Pelo amor de Deus, coloquem a mão na consciência, coloquem a mão no coração. Pensem nas pessoas, pensem no pobre, pensem naquele que não tem emprego”, concluiu.

 

 

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