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Aumento

Reclamações contra Casas Bahia sobem 65% em 2026

Número de registros no Procon-SP passou de 6,4 mil para 10,6 mil em um ano; atraso e não entrega de produtos lideram queixas
Divulgação

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As reclamações de consumidores contra as Casas Bahia registradas no Procon-SP (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor em São Paulo) cresceram 65% de janeiro a julho deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. O aumento vem em meio à crise financeira que levou o grupo a pedir recuperação judicial no dia 16.

Foram 10.617 reclamações nos sete primeiros meses de 2026, contra 6.437 no mesmo período do ano passado. A alta foi de 64,9%, segundo dados fornecidos pelo Procon-SP à Folha.

Entre os principais motivos das queixas está a demora ou a falta de entrega de produtos. Foram 3.672 reclamações sobre esse problema entre janeiro e julho deste ano. O número já supera em 13,5% as 3.234 queixas registradas pela mesma razão durante todo 2025.

Com os registros deste mês, que ainda é parcial, o número de reclamações relacionadas à não entrega ou à demora na entrega chega a 3.858 em 2026, segundo o Procon-SP.

Os dados históricos do órgão mostram que as reclamações costumam aumentar no segundo semestre, principalmente em novembro e dezembro, período de Black Friday e Natal. Em 2025, foram 1.231 registros em novembro e 1.723 em dezembro, o maior volume mensal da série fornecida pelo Procon-SP.

Consumidores relatam atrasos e falta de reembolso

No Reclame Aqui, a reputação das Casas Bahia passou de “Regular” para “Bom” entre junho e julho, segundo o histórico disponível na plataforma. Entre os principais problemas relatados pelos consumidores estão atrasos na entrega, dificuldades para obter estorno, produtos não recebidos e defeitos.

Um consumidor de São Paulo afirma que comprou um aparelho celular por R$ 1.699, pago via Pix. A entrega estava prevista para 20 de agosto, mas não havia sido realizada até a publicação da matéria. Segundo ele, ao tentar entrar em contato com a varejista, onde não obteve retorno e decidiu procurar o Procon-SP.

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Uma outra consumidora de Minas Gerais afirma ter comprado uma geladeira e um fogão por R$ 3.828, também pagos via Pix. A entrega estava prevista para 5 de agosto, mas não aconteceu. Após sucessivos contatos sem solução, ela cancelou a compra no dia 13 e afirma que ainda não havia recebido o reembolso.

Em Brasília (DF), outro consumidor relata esperar há quase um mês pelo estorno de um produto que chegou danificado e foi devolvido no dia seguinte. Segundo ele, os atendentes abriram sucessivos chamados, mas o dinheiro ainda não havia retornado.

Senacon monitora situação

A Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) informou nesta terça-feira (25) que começou a monitorar as Casas Bahia após o pedido de recuperação judicial. O objetivo é identificar possíveis problemas que possam afetar os consumidores.

Segundo o órgão, vinculado ao Ministério da Justiç a e Segurança Pública, o acompanhamento busca reunir e analisar informações sobre produtos, serviços e práticas comerciais da empresa.

Se houver indícios de práticas lesivas ao consumidor, poderá ser instaurado procedimento, averiguação preliminar ou processo sancionador.Senacon em comunicado

O órgão também orienta os consumidores que tenham problemas com compras realizadas na empresa a guardar documentos que comprovem a relação de consumo, como: nota fiscal, comprovantes de pagamento, pedidos de troca, e-mails e documentos de entrega.

A documentação é importante para garantir os direitos do consumidor e para definir o tratamento do crédito com a empresa caso o pedido de recuperação judicial seja aceito.

Produto já recebido e parcelas em aberto

O pedido de recuperação judicial não significa o cancelamento automático de compras, contratos ou obrigações de pagamento.

Quem já recebeu o produto, mas ainda possui parcelas, carnê ou financiamento em aberto, deve continuar realizando os pagamentos previstos no contrato. A recomendação é utilizar os canais oficiais e guardar os comprovantes.

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Produto ainda não entregue

Em caso de atraso ou não entrega, continuam valendo as regras do CDC (Código de Defesa do Consumidor), segundo a Senacon.

Dependendo da situação, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, aceitar outro produto ou serviço equivalente ou cancelar a contratação.

No caso das Casas Bahia, a Justiça determinou que fornecedores deveriam manter a entrega de mercadorias que já estavam em trânsito para lojas ou centros de distribuição.

Atenção aos golpes

A Senacon também alerta que momentos de crise podem ser usados para aplicar golpes envolvendo renegociações, boletos e pagamentos.

A orientação é utilizar somente os canais oficiais da empresa, conferir os dados antes de realizar qualquer pagamento, evitar links suspeitos enviados por mensagens e desconfiar de propostas de renegociação fora do padrão.

Recuperação judicial não suspende direitos

O pedido de recuperação judicial, não altera os direitos do consumidor nem permite que a empresa deixe de cumprir suas obrigações.

Em caso de atraso na entrega, por exemplo, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, aceitar outro produto equivalente ou cancelar a compra e pedir a restituição do valor pago, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

Crise financeira

O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial à Justiça de São Paulo no dia 16, com uma dívida declarada de R$ 17,3 bilhões. O pedido envolve dez empresas da holding e ainda precisa ser analisado pela Justiça.

A companhia afirmou que enfrenta dificuldades relacionadas ao aumento dos juros, à restrição de crédito, ao encarecimento do custo financeiro e à pressão sobre o consumo.

No segundo trimestre, a empresa informou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, ante perda de R$ 555 milhões no mesmo período de 2025.

 

Por IG Notícias | Lívia Coimbra

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