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Pagamentos

BC quer reforçar segurança do Pix e mira transações feitas na madrugada; entenda

Proposta busca reduzir golpes e fraudes em um período em que as equipes de segurança das instituições financeiras são menores
Bruno Peres/Agência Brasil

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O Banco Central (BC) avalia exigir que bancos e fintechs tenham mais tempo para analisar Pix de alto valor realizados durante a madrugada, podendo manter os recursos retidos por até 72 horas. A discussão ainda é inicial e não há definição sobre valores ou horários que acionariam a medida. A informação foi dada pela jornalista  Thaís Barcellos, do jornal O Globo.

A proposta busca reduzir golpes, fraudes, roubos e transferências feitas sob coerção. A preocupação com a madrugada ocorre porque, nesse período, as instituições financeiras costumam ter equipes de segurança menores.

Hoje, bancos já podem segurar operações consideradas suspeitas. A instituição pagadora tem até 60 minutos adicionais para analisar a transferência, enquanto o banco recebedor pode fazer um bloqueio cautelar por até 72 horas. Se a fraude for confirmada, o dinheiro é devolvido.

Critérios mínimos

O BC quer estabelecer critérios obrigatórios para a análise das operações, já que atualmente cada instituição adota parâmetros próprios. Entre os fatores avaliados estão valor e horário da transferência, além de várias operações realizadas em sequência e em curto intervalo. Os limites ainda estão em discussão no grupo de segurança do Fórum Pix.

A medida é defendida pelos bancos desde o ano passado, após ataques hackers contra instituições financeiras. Um dos principais casos envolveu a C&M Software, por meio da qual cerca de R$ 800 milhões foram desviados. Parte das fintechs, porém, teme que operações mais demoradas prejudiquem seus modelos de negócio.

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Para evitar impactos aos usuários, contas de empresas ou pessoas que tenham pagamentos recorrentes de madrugada poderão ser previamente habilitadas. A tendência é que a eventual retenção ocorra na instituição recebedora, sem impedir o envio do Pix.

Fraudes em queda

O reforço da segurança já vem produzindo resultados. O índice de fraudes caiu de 11 casos a cada 100 mil transações, em julho de 2024, para 4,2 em abril de 2026, menor nível da série. O dado considera contestações reconhecidas como procedentes pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED).

Criado em 2021, o MED também passou a recuperar uma parcela maior dos recursos desviados. Em abril, 16,2% dos valores foram devolvidos, contra 11,2% no mesmo mês de 2025.

Outras mudanças em estudo

O BC quer aprimorar o rastreamento de pagamentos feitos por marketplaces, incluindo no Pix informações sobre o destinatário final. A medida busca dificultar a ocultação de dinheiro e complementar as restrições às chamadas “contas-bolsão”.

Também está em análise o funcionamento do botão de contestação criado para facilitar denúncias de fraude. O recurso passou a ser usado em casos como transferências feitas por engano e reclamações sobre produtos ou serviços. As contestações no MED quase triplicaram após a criação da ferramenta, de 1,24 milhão em setembro para 3,45 milhões em outubro; em abril de 2026, foram 2,96 milhões.

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Outra proposta é criar, com inteligência artificial, um indicador que atribua uma nota de probabilidade de fraude a cada transação e ajude as equipes de segurança, principalmente em instituições menores. O BC também avalia padronizar alertas enviados aos clientes.

O órgão ainda estuda ampliar as punições a participantes que coloquem o sistema em risco. Além da suspensão do Pix, poderão ser aplicadas medidas como impedir novas chaves ou restringir transferências por horário ou valor.

O BC identificou o uso do campo de mensagens do Pix para ameaças e ofensas. Uma das soluções avaliadas é permitir que usuários restrinjam mensagens ou bloqueiem textos enviados por determinadas chaves.

A expectativa é que regras com critérios objetivos para identificar operações suspeitas possam ser publicadas até o fim de 2026, mas ainda não há data definida nem previsão de vigência imediata.

 

Por ICL Notícias

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