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Banco Master

Reportagens nacionais aumentam cobrança por respostas no caso dos consignados em MT

Metrópoles e Revista Fórum relacionam decreto assinado por Mauro Mendes, credenciamento do Banco Master e atuação de empresas questionadas por sindicatos; prazo de 120 dias para revisão dos contratos venceu em maio
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As reportagens recentes publicadas pelo Metrópoles e pela Revista Fórum recolocaram Mato Grosso no centro do debate nacional sobre as operações ligadas ao Banco Master e ampliaram os questionamentos sobre o sistema de crédito consignado implantado no Estado a partir de 2023.

As publicações recuperam uma sequência de fatos que inclui a edição do Decreto nº 257, assinado pelo então governador Mauro Mendes (União), a regulamentação do cartão consignado benefício, o credenciamento do Banco Master e de empresas posteriormente questionadas por entidades sindicais e a expansão das operações de crédito consignado entre servidores públicos estaduais.

Segundo reportagem do Metrópoles, o ponto de partida ocorreu em 5 de maio de 2023, quando Mauro Mendes assinou o Decreto nº 257, publicado em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado. A norma alterou as regras das consignações em folha de pagamento e passou a permitir a amortização de despesas com cartão consignado de benefício.

A reportagem destaca que o decreto também criou espaço para entidades administradoras de cartão consignado conveniadas a instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central.

Na mesma data, Mauro Mendes embarcou para Nova York para participar do Fórum da LIDE. Seis dias depois, em 11 de maio, participou de jantar no restaurante Nusr-Et Steakhouse New York, local onde, segundo investigação da Polícia Federal divulgada nacionalmente, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, pagou uma conta de aproximadamente US$ 13 mil associada ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

O Metrópoles ressalta que Mauro Mendes não é apontado como investigado no caso e que afirmou ter custeado integralmente as despesas da viagem. A reportagem destaca a sequência temporal entre a edição do decreto, a viagem aos Estados Unidos e o posterior credenciamento do Banco Master em Mato Grosso.

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De acordo com a publicação, dezenove dias após o jantar, o governo estadual firmou convênios com o Banco Master para oferta de cartão consignado a servidores, aposentados e pensionistas. Também foram credenciadas a ClickBank e a Capital Consig.

As duas empresas aparecem no centro das discussões travadas pelos sindicatos de servidores públicos de Mato Grosso. Conforme relatado pelo próprio Metrópoles, o SINPAIG e Federação dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (FESSP-MT). O escritório AFG & Taques também tem apontado, nas ações judiciais em curso, a atuação interligada entre Capital Consig e Cartos, fintech mencionada em investigações relacionadas ao Banco Master.

O tema já havia sido levado ao Senado Federal antes da repercussão nacional. Em março deste ano, durante depoimento prestado à CPI do Crime Organizado, o advogado Pedro Taques apresentou dados de auditoria forense apontando crescimento aproximado de 2.476% nos contratos de crédito consignado em Mato Grosso entre 2022 e 2024.

Segundo o relatório apresentado na comissão, o volume de contratos saltou de aproximadamente 104,8 mil para 2,7 milhões no período. O tema passou a ser discutido na CPI em razão do crescimento acelerado das operações e das suspeitas envolvendo empresas que atuavam no sistema de consignados. Taques também afirmou que empresas como Capital Consig, Cartos, ClickBank e outras instituições atuavam como estruturas satélites do Banco Master, gerando contratos posteriormente absorvidos pela instituição financeira.

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Em maio deste ano, uma nova reportagem baseada em interceptações da Polícia Federal passou a mencionar diretamente a Capital Consig e a Cartos. Após a divulgação do material, os sindicatos protocolaram manifestação na Justiça requerendo o compartilhamento das provas produzidas na esfera federal para instruir os processos que tramitam em Mato Grosso.

 

Auditoria segue pendente

A retomada dos descontos em folha ocorreu dentro de um contexto de revisão determinada pela Justiça para que o Estado analisasse os contratos de cartão consignado e identificasse eventuais irregularidades. Para isso, foi concedido prazo de 120 dias, encerrado em 20 de maio de 2026.

Em 22 de maio, os sindicatos informaram à Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá que os resultados da auditoria ainda não haviam sido apresentados ao Judiciário. Considerada peça central para esclarecer os contratos questionados e orientar as medidas a serem adotadas, a auditoria segue sem conclusão enquanto milhares de servidores continuam sofrendo descontos em folha.

“As informações divulgadas nacionalmente reforçam a importância da auditoria determinada pela Justiça. Desde o ano passado, os sindicatos e o escritório AFG & Taques vêm cobrando a apuração dessas operações e acionando os órgãos competentes. Os servidores seguem aguardando uma resposta definitiva, e a conclusão desse trabalho é fundamental para garantir transparência, segurança jurídica e uma solução efetiva para os trabalhadores atingidos pelos descontos”, afirma o advogado Pedro Taques.

 

Por Assessoria

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