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Projeto na Câmara

Pegar devedor contumaz é sufocar o crime e proteger negócios honestos, diz Haddad

Ministro da Fazenda, em entrevista na manhã desta quinta-feira, pede ao Congresso Nacional que aprove a proposta de lei do Devedor Contumaz, caminho para asfixiar financeiramente o crime e não punir quem trabalha legalmente
Diogo Zacarias/MF

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pediu ao Congresso Nacional que se apresse para apreciar e votar o projeto de lei complementar 125/22. O projeto inclui a figura do devedor contumaz, estabelece regras de combate a esse crime tributário e, destacou o ministro, abre possibilidade de melhor combater o crime organizado, que cria empresas sonegadoras para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas.

Haddad fez as declarações durante entrevista a jornalistas que o aguardavam diante da sede do Ministério da Fazenda, na manhã desta quinta (27/11), em Brasília. Ele discorreu sobre a operação Poço do Lobato, deflagrada pela Polícia Federal e pela Receita Federal, em conjunto com forças de segurança e fiscalização estaduais.

“O que a Receita Federal faz [neste tipo de operaçãoé, por meio da fiscalização, inibir as práticas econômicas ilícitas para garantir que a concorrência seja leal, que os pagamentos de tributos são regulares, que não haja benefício para o sonegador em relação às empresas que pagam corretamente os seus tributos. E é por isso que nós sempre insistimos na necessidade imperiosa de votar o projeto do Devedor Contumaz”.

Segundo Haddad, faz três anos que ele e sua equipe “militam” junto aos parlamentares para a aprovação do projeto, que já passou pelo Senado e agora está empacado na Câmara.

Haddad lembrou que a operação Poço do Lobato é um desdobramento da Carbono Oculto, que em agosto representou o maior golpe no crime organizado neste século. Haddad não cita nomes nem de empresas nem de facções, mas se sabe que o PCC está na mira e a refinaria Refit, sediada no Rio, é um dos elos empresariais do crime para lavagem de dinheiro.

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A operação Carbono Oculto, como vocês sabem, foi uma operação que desbaratou fundos que estavam sendo usados pelo crime organizado, sobretudo lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, sempre lembrando que o papel da Receita Federal é de proteger a atividade econômica lícita no país”.

O ministro insistiu que o projeto do Devedor Contumaz não deve ser visto como de interesse apenas do Governo do Brasil, e que deve ser abraçado também pela oposição. 

“Não tem nada a ver com oposição, com situação. É para o Brasil e para os bons empresários, que são 99% das pessoas que estão agindo licitamente, explorando atividades econômicas. O devedor contumaz pega um núcleozinho pequeno de empresas que usam desses expedientes ilícitos para ter vantagens competitivas. Completamente irregulares”, disse

A Operação Poço do Lobato, deflagrada nesta manhã, se dá em cinco estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia. São 126 mandatos de busca e apreensão. “A movimentação do grupo econômico [investigado] é, no último ano, de 70 bilhões de reais. São pessoas que devem uma fortuna para os fiscos de todo o país. Nós estamos falando de 26 bilhões em impostos não recolhidos por esse grupo econômico. Envolve lavagem de dinheiro e evasão de divisas”.

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O ministro da Fazenda revelou que ele e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski sugeriram ao Governo que haja cooperação com o governo dos Estados Unidos, porque há uma conexão criminosa com grupo empresarial em Delaware.

“Eles estão utilizando o estado de Delaware, que é um paraíso fiscal nos Estados Unidos, para montar operações lá de evasão de divisa e lavagem de dinheiro. Então são abertas empresas lá. São dezenas de empresas e fundos que estão sendo abertos fora do Brasil. E o esquema é você fazer um empréstimo para esses fundos, um empréstimo que é suspeita da receita de que jamais serão pagos e voltam na forma de aplicação”, disse ele, explicando o esquema de lavagem de dinheiro

Então é uma operação de triangulação internacional gravíssima. Só para vocês terem uma ideia, a última operação foi de 1,2 bilhão de reais de envio de recursos para esses fundos em Delaware. E que voltam para cá na forma de aplicação, como se fosse um investimento direto estrangeiro no Brasil, mas é feito simulando um investimento estrangeiro”, completou.

 

Por Agência Gov

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