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Eleições

Matéria da Veja sobre Vorcaro é “peça eleitoral”, diz campanha de Lula

Nota da coligação afirma que não há registro do suposto depoimento na Polícia Federal e promete recorrer à Justiça contra acusações.
Leandro Chemalle/Thenews2/Folhapress

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A equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou nesta sexta-feira (9) a revista Veja de publicar uma “peça eleitoral” para favorecer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. A reação ocorreu após a divulgação de reportagem que atribui ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatos sobre pagamentos a integrantes do PT e financiamento irregular de um documentário sobre Lula em troca de negócios com fundos de pensão.

Em nota, a coordenação da coligação Brasil Pronto Para Mais contestou a validade do material atribuído ao banqueiro. “Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa.”

A campanha também questionou a publicação das acusações a duas semanas da votação, marcada para o dia 25, e sustentou que a reportagem tem o objetivo de interferir na disputa presidencial. A coligação anunciou que adotará providências judiciais contra as acusações e eventuais irregularidades na divulgação das informações.

O que publicou a Veja

A reportagem apresenta um áudio e documentos atribuídos a Daniel Vorcaro nos quais o banqueiro relata supostos pagamentos para obter acesso a recursos de fundos de pensão ligados a empresas estatais. Segundo a revista, Vorcaro teria desembolsado aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para financiar um documentário sobre Lula dirigido pelo cineasta Oliver Stone, além de realizar outros repasses ao Instituto Lula.

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De acordo com a versão atribuída ao banqueiro, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria exigido esses pagamentos em troca de facilitar a entrada do Banco Master nos fundos de previdência de servidores da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Petrobras e Correios. Vaccari também teria cobrado uma comissão de 10% sobre os valores captados pela instituição financeira nessas entidades.

A reportagem menciona a suposta participação do então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, de seu então secretário-executivo, Olavo Noleto, e de intermediários ligados ao governo nas negociações. A Veja apresenta trocas de mensagens que apontam contatos e encontros do banqueiro com integrantes desse grupo durante as tentativas de obter investimentos dos fundos.

O Banco Master chegou a ser incluído, em abril de 2024, na relação de instituições financeiras autorizadas a receber aplicações dos fundos estatais. Apesar disso, segundo a própria reportagem, as tentativas de captar recursos dos fundos federais mencionados por Vorcaro não tiveram sucesso.

A revista informa que os relatos integraram uma proposta de colaboração apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho deste ano. O órgão não deu prosseguimento às acusações por falta de provas suficientes. A defesa do banqueiro teria alegado a existência de mensagens, registros de movimentações financeiras e informações sobre as supostas entregas de dinheiro, mas o procedimento não avançou.

Procurado pela Veja, Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro ou autorizado terceiros a receber recursos em seu nome. Padilha e Noleto também negaram manter relações com o banqueiro.

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Contestação da campanha

Na resposta à publicação, a campanha de Lula sustentou que as instituições responsáveis por investigar as irregularidades do Banco Master atuaram durante o atual governo, período em que o banco foi liquidado e Vorcaro acabou preso. Para a coligação, as acusações representam uma reação contra as autoridades responsáveis pela investigação.

“Trata-se de uma tentativa de vingança que levanta uma pergunta inevitável: que benefícios Vorcaro espera obter de uma eventual mudança de governo?”, questionou a coordenação da campanha.

A coligação também criticou o tratamento dado por Vorcaro aos pagamentos relacionados a políticos de diferentes partidos. A nota contrapõe as acusações contra o PT aos recursos destinados à produção do filme Dark Horse.

“Vorcaro procura apresentar os pagamentos associados ao bolsonarismo como ‘patrocínio normal’, enquanto atribui crimes ao PT e ao governo sem apresentar prova das suas acusações”, declarou a coordenação. A campanha sustentou ainda que a versão divulgada busca preservar Flávio Bolsonaro de questionamentos sobre suas relações com o empresário.

“Não aceitaremos que acusações sem provas e vazamentos seletivos sejam usados como arma eleitoral. As medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra as calúnias e eventuais irregularidades na divulgação.

 

Por Congresso em Foco

 

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