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Projeto de lei

Código de Trânsito pode mudar; veja pontos do novo relatório

Projeto deve ser votado na Câmara em julho. Veja os principais pontos que podem afetar motoristas, autoescolas, pedágio e usuários de patinete.
Assessoria

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O relatório do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) sobre a reformulação do Código de Trânsito Brasileiro muda pontos centrais da vida de motoristas, candidatos à CNH, autoescolas e usuários de novas formas de mobilidade. O texto deve ser votado na comissão especial em 7 de julho e, segundo o relator, pode ir ao Plenário da Câmara no dia seguinte.

A proposta vai além do projeto original, que tratava da obrigatoriedade de aulas práticas em vias públicas. O substitutivo reúne parte de 270 projetos apensados e 16 emendas e mexe em temas como formação de condutores, provas práticas, idade mínima para dirigir, radares, patinetes elétricos, free flow e educação para o trânsito.

 

Principais pontos propostos pelo relator Aureo Ribeiro em seu substitutivo na comissão especial da Câmara que analisa mudanças no Código de Trânsito.

Principais pontos propostos pelo relator Aureo Ribeiro em seu substitutivo na comissão especial da Câmara que analisa mudanças no Código de Trânsito.Arte Congresso em Foco

 

Escolas de trânsito

As autoescolas passam a ser chamadas de Escolas de Trânsito e poderão conduzir todo o processo de habilitação. Na prática, o candidato poderia começar e terminar a CNH na escola credenciada, sem precisar ir ao Detran para todas as etapas. O Detran continuaria podendo fazer o serviço.

O relatório também fixa carga prática mínima no Código: cinco aulas de 50 minutos para as categorias A e B e dez aulas para C, D e E. Aureo critica a regra que reduziu a exigência prática para duas horas.

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Provas e fiscalização

As Escolas de Trânsito poderão aplicar provas teóricas e práticas. Para evitar fraudes, o relatório prevê auditoria e controle pelos Detrans. Quando a prova prática for aplicada por escola credenciada, o resultado terá de ser validado por servidor efetivo do Detran em até 72 horas. Se não houver manifestação nesse prazo, o resultado será validado automaticamente.

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Em entrevista ao Congresso em Foco, Aureo disse que as provas práticas serão filmadas e auditadas, com câmeras nos carros de exame. No relatório, a redação fala em sistema de monitoramento a ser regulamentado pelo Contran.

CNH aos 16

O texto permite que jovens maiores de 16 e menores de 18 anos recebam permissão para dirigir. Para carros, só poderiam circular em área urbana, das 5h às 23h59, acompanhados por pessoa maior de 18 anos e habilitada há pelo menos dois anos.

Para motocicletas e motonetas, o relatório prevê autorização para veículos de até 150 cilindradas, sem acompanhante. A CNH definitiva só sairia aos 18 anos se o jovem não cometer infração grave, gravíssima ou reincidir em infração média. Caso contrário, perderia a permissão e teria de reiniciar o processo depois da maioridade.

Patinetes e bicicletas elétricas

O relatório cria regras para bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos autopropelidos. Bicicletas elétricas ficam equiparadas às bicicletas comuns, salvo exceções previstas no Código.

Patinetes elétricos entram na categoria de equipamentos autopropelidos. O texto prevê autorização simplificada para condução, com idade mínima de 16 anos e exame escrito. Também menciona regras de registro, identificação e emplacamento para esses equipamentos, mas Aureo afirmou na entrevista que patinetes precisariam de capacete, não de placa. Esse ponto ainda precisa ser esclarecido na redação final ou na regulamentação.

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Radares e velocidade

O substitutivo proíbe radares escondidos, exige estudos técnicos para definir ou alterar limites de velocidade e veda reduções pontuais injustificadas. Também proíbe que empresas de radares recebam com base no valor arrecadado em multas.

O texto reduz limites padrão onde não houver placa: vias de trânsito rápido passam a 70 km/h, e vias arteriais, a 50 km/h. Os órgãos de trânsito poderão fixar velocidades diferentes, desde que haja sinalização e justificativa técnica.

Free flow

No caso do pedágio free flow, em que o motorista passa sem cancela e precisa pagar depois, o relatório propõe tornar a cobrança mais clara e acessível. O texto prevê aviso ostensivo antes do ponto de cobrança, ampliação dos canais de pagamento — com opções digitais e presenciais, como Pix, cartão e posto físico — e criação de uma plataforma nacional para consulta de tarifas pendentes. A proposta também busca proteger o motorista de autuações por falha de informação: se não houver aviso adequado ou meios de pagamento disponíveis, o usuário não poderá ser multado, e os processos por falta de pagamento ficariam suspensos até a adaptação às novas regras.

Se aprovado na comissão, o texto ainda precisará passar pelo Plenário da Câmara e depois pelo Senado.

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