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Ocorrências Policiais

Violência doméstica marca fim de semana em Mato Grosso com casos em sete municípios

Em poucas horas, boletins policiais registraram agressões, ameaças de morte, tentativas de incêndio e crianças expostas aos conflitos familiares, evidenciando um padrão recorrente de violência no estado.

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Entre a noite de sábado (25) e a madrugada de domingo (26), Mato Grosso registrou uma sequência de ocorrências de violência doméstica que, apesar de terem acontecido em municípios diferentes, seguiram um roteiro semelhante.

Em destaque, consumo de bebidas alcoólicas, crises de ciúmes, agressões dentro de casa, ameaças de morte e crianças e adolescentes envolvidos nos conflitos.

Os casos foram registrados em Barra do Garças, Várzea Grande, Santa Cruz do Xingu, Cuiabá, Tangará da Serra, Tapurah e Cáceres.

Embora sem ligação entre si, todos ocorreram em poucas horas e expõem um padrão que preocupa autoridades responsáveis pelo enfrentamento da violência contra a mulher e pela proteção da infância.

Na manhã de domingo (26), em Barra do Garças (509 km a Leste de Cuiabá), um homem de 33 anos foi preso após tentar incendiar a casa e a motocicleta da companheira usando álcool e um isqueiro.

O casal havia acabado de retornar de um evento, onde ambos consumiram bebida alcoólica.

Para proteger a irmã e as sobrinhas, um adolescente de 17 anos enfrentou o agressor, entrou em luta corporal e impediu que o fogo fosse iniciado.

Mesmo contido, o suspeito ainda ameaçou matar o rapaz.

Também na madrugada de domingo (26), em Santa Cruz do Xingu (1.20 km a Nordeste de Cuiabá), outra discussão iniciada após consumo de álcool terminou com uma mulher agredida pelo marido.

Depois de desferir tapas no rosto da vítima e ameaçá-la de morte, o suspeito fugiu de carro, perdeu o controle da direção e bateu contra uma árvore antes de ser localizado pela Polícia Militar.

Já na madrugada de sábado (25), em Várzea Grande (área metropolitana da Capital), um adolescente de apenas 13 anos acabou ferido ao tentar defender a mãe das agressões praticadas pelo padrasto.

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O jovem sofreu lesões no rosto e nas mãos durante a tentativa de interromper a violência, enquanto a mulher também apresentava escoriações.

Em Cuiabá, na madrugada de domingo (26), uma mulher denunciou que o ex-companheiro, inconformado com o fim do relacionamento, danificou o portão de sua residência, subiu no telhado da casa e ameaçou retornar para matá-la.

O suspeito fugiu antes da chegada da polícia e passou a ser procurado.

Os registros também mostram situações em que os próprios filhos se tornam vítimas diretas da violência familiar.

Na madrugada de domingo (26), em Tapurah (433 km a Médio-Norte de Cuiabá), uma mulher foi conduzida à delegacia, após agredir o filho de 14 anos com uma marreta, depois de retirar os três filhos do quarto para permanecer com um homem que conhecera durante uma festa.

O adolescente sofreu lesões e o Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar o caso.

Também na madrugada de domingo, em Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá), outra mãe foi presa após agredir a filha de 15 anos com uma vara de goiabeira e um capacete.

Segundo a ocorrência, a adolescente havia saído para pescar e retornou apenas durante a madrugada, fato que desencadeou a agressão.

Em Tangará da Serra (240 km ao Norte), ainda na manhã de domingo (26), uma mulher foi presa por dirigir embriagada depois de deixar quatro crianças sozinhas em casa enquanto saía para beber.

Ela foi abordada após realizar manobras perigosas pelas ruas da cidade.

UM PADRÃO QUE PREOCUPA – Embora cada ocorrência tenha suas particularidades, os boletins policiais revelam características recorrentes.

Em praticamente todos os casos, houve consumo de bebida alcoólica, antes das agressões ou durante os conflitos familiares.

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Ciúmes, discussões iniciadas após festas e tentativas de controle sobre parceiros ou familiares aparecem como fatores presentes em diferentes episódios.

Outro aspecto que chama atenção é o protagonismo involuntário de crianças e adolescentes.

Em vez de apenas testemunharem as agressões, muitos acabam tentando proteger mães e irmãs, intervindo fisicamente nas brigas ou tornando-se vítimas diretas da violência.

Em Barra do Garças, um jovem de 17 anos impediu que a irmã tivesse a casa incendiada; em Várzea Grande, um garoto de 13 anos ficou ferido ao defender a mãe; e, em Tapurah, um adolescente de 14 anos foi espancado pela própria mãe.

Também se repete a escalada da violência patrimonial e psicológica.

Além das agressões físicas, os registros incluem ameaças de incêndio, destruição de objetos, danos a veículos e invasões de residências, comportamentos frequentemente utilizados para intimidar as vítimas e ampliar o controle exercido pelo agressor.

MAIS DO QUE CASOS ISOLADOS – O conjunto de ocorrências registradas em poucas horas reforça uma realidade conhecida pelas forças de segurança: os fins de semana concentram boa parte dos casos de violência doméstica, período em que aumentam a convivência familiar, o consumo de álcool e a realização de festas e eventos.

Mais do que uma sucessão de boletins de ocorrência, os episódios registrados entre a noite de sábado e a manhã de domingo revelam um retrato preocupante da violência familiar em Mato Grosso.

Em comum, as ocorrências mostram mulheres ameaçadas, crianças expostas ao conflito, adolescentes assumindo o papel de protetores e famílias marcadas por um ciclo de violência que continua a desafiar as políticas públicas de prevenção, acolhimento das vítimas e responsabilização dos agressores.

 

Por Jornal Diário de Cuiabá

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