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NICOTINA EM DISCUSSÃO

Vendidos no mercado ilegal, sachês de nicotina entram na mira regulatória da Anvisa

Debate sobre os sachês de nicotina opõe indústria e especialistas em saúde pública, enquanto estudos alertam para riscos como câncer, doenças cardiovasculares e aumento da dependência entre jovens
Dolly Faibyshev/NYT

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Proibida no Brasil, a venda de sachês de nicotina tem ocorrido em redes sociais, grupos de WhatsApp e comércio informal e entrou na mira da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que se prepara para avaliar se mantém o veto ou abre caminho para regular o produto no país.

Conhecidos no exterior como “pouches” e “snus”, os pequenos sachês colocados entre a gengiva e o lábio são vendidos em latinhas coloridas, com aromas doces e sabores frutados e como alternativa “sem fumaça” para pessoas que desejam largar o cigarro .

Mas de acordo com uma revisão de estudos sobre o tema, produzida pela ACT Promoção da Saúde com financiamento da Bloomberg Philanthropies, as grandes transnacionais do tabaco vêm diversificando o portfólio com produtos como sachês de nicotina e cigarros eletrônicos com o objetivo de atrair o público jovem.

De acordo com o documento, as evidências científicas disponíveis e o contexto regulatório internacional apontam que, além do risco de dependência, os sachês estão associados a diversos tipos de câncer, como de boca, esôfago, estômago, pâncreas e reto. Estudos epidemiológicos também apontam maior risco de mortalidade por doenças cardiovasculares.

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Esses produtos passaram a ser introduzidos em diversos mercados internacionais entre 2018 e 2020 e são considerados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) parte do conjunto de produtos emergentes de nicotina, que representam novos desafios para as políticas de controle do tabaco.

As respostas regulatórias internacionais são heterogêneas, variando entre proibição, regulamentação específica ou ausência de regulação clara, muitas vezes associada a lacunas legais relacionadas à nicotina sintética ou à classificação regulatória desses produtos.

Os Estados Unidos, que em janeiro de 2025 liberaram a venda dos sachês de nicotina, pisaram agora no freio para novas aprovações. Cientistas da FDA (Food and Drug Administration, a agência reguladora do país) citam riscos potenciais para usuários jovens, incluindo crianças. Os sachês são a categoria de produtos de tabaco que mais cresce nos Estados Unidos, o maior mercado mundial para alternativas ao tabagismo.

“Estamos falando da liberação de um produto que já nasce com altíssimo potencial de causar dependência”, afirma a pneumologista Stella Regina Martins, médica da seção de hipertensão, tabagismo e nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e autora do relatório brasileiro.

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Procurada desde segunda-feira (27) pela reportagem, a Anvisa não respondeu aos questionamentos sobre o trâmite regulatório dos sachês no país.

 

Por Folha de SP

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