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Opinião

Endometriose e fertilidade: por que cada mulher precisa de um tratamento personalizado?

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Durante muitos anos, receber o diagnóstico de endometriose significava, para muitas mulheres, conviver também com o medo da infertilidade. Era comum acreditar que a doença diminuía de forma definitiva as chances de engravidar ou que a cirurgia seria um caminho inevitável. Felizmente, a medicina evoluiu, e hoje sabemos que o tratamento da endometriose é muito mais individualizado do que se imaginava.

Esse é, inclusive, um dos principais temas discutidos no 10º Congresso Brasileiro de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose, que reúne especialistas de todo o país para compartilhar evidências científicas e debater as estratégias mais atuais para o cuidado das pacientes. Entre os consensos reforçados pela literatura está a importância de compreender que não existe um único tratamento para todas as mulheres com endometriose.

A doença pode se manifestar de formas muito diferentes. Algumas pacientes apresentam dor intensa e lesões profundas; outras convivem com poucos sintomas e descobrem a endometriose apenas durante a investigação para engravidar. Há ainda mulheres que têm como principal objetivo aliviar a dor e outras que procuram atendimento porque desejam realizar o sonho da maternidade. Por isso, idade, sintomas, localização da doença, reserva ovariana e planejamento reprodutivo precisam ser considerados antes de qualquer decisão terapêutica.

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Quando a paciente deseja engravidar, o tratamento deve ir além do controle da doença. É preciso pensar na preservação da fertilidade e escolher a estratégia que ofereça as melhores chances de gestação, sempre com o menor impacto possível sobre a função ovariana.

Esse cuidado é especialmente importante porque nem toda mulher com endometriose precisará de cirurgia. Em muitos casos, principalmente quando a doença é menos extensa, a tentativa de gravidez espontânea ou tratamentos de reprodução assistida podem ser indicados antes de um procedimento cirúrgico. Em outras situações, a cirurgia pode ser fundamental para restaurar a anatomia pélvica, aliviar sintomas e favorecer a gestação. A decisão depende de uma avaliação criteriosa e individualizada.

Outro aspecto que vem ganhando cada vez mais destaque é a preservação da fertilidade. Mulheres com diagnóstico de endometriose, especialmente aquelas que ainda não desejam engravidar, mas apresentam risco de redução da reserva ovariana, podem se beneficiar de um planejamento reprodutivo precoce. Em alguns casos, o congelamento de óvulos pode ser uma alternativa importante para ampliar as possibilidades no futuro.

Também é fundamental lembrar que a idade continua sendo um dos fatores mais importantes para a fertilidade feminina. A partir dos 35 anos, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos. Quando essa condição se associa à endometriose, o planejamento torna-se ainda mais relevante. Buscar avaliação especializada precocemente permite definir o momento mais adequado para cada etapa do tratamento.

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Os avanços apresentados e discutidos em encontros científicos como o  10º Congresso Brasileiro de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose reforçam uma mudança importante na forma de cuidar dessas pacientes: hoje, o foco não está apenas na doença, mas na mulher como um todo, considerando seus sintomas, sua qualidade de vida e seus projetos para o futuro.

Mais do que escolher entre cirurgia, tratamento clínico ou reprodução assistida, o desafio é construir uma estratégia personalizada, baseada nas melhores evidências científicas e nas necessidades individuais de cada paciente.

Porque, quando falamos de endometriose e fertilidade, a melhor conduta não é aquela que serve para todas as mulheres, mas aquela que respeita a história, o momento e os sonhos de cada uma.

Giovana Fortunato é ginecologista, especialista em endometriose e infertilidade e professora da UFMT.
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