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Opinião

As eleições e os parques

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Época de eleição é tempo de falar do que está há muito tempo esquecido. É tempo de falar sobre os parques. Não estou falando do Parque Novo Mato Grosso, que recebeu investimentos bilionários, nem tampouco do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, sobre o qual o Governo do Estado anunciou aos quatro ventos, que queria investiria mais de R$ 200 milhões em obras como a ponte de vidro no Portão do Inferno e o elevador no Véu de Noiva. Neste texto, vou falar sobre as 48 Unidades de Conservação (UCs) estaduais e sua importância para o turismo, a economia, o bem-estar e as futuras gerações.

Mato Grosso possui atualmente diversos parques estaduais, monumentos naturais e estradas-parque, belíssimos e de elevada importância para a proteção do meio ambiente e para o desenvolvimento sustentável. Falar em unidades de conservação é falar em família, em futuro, em contato com a natureza e em qualidade de vida. As unidades de conservação são importantes para os mato-grossenses e fundamentais para atrair turistas e gerar renda.

O leitor que visita Chapada dos Guimarães com certeza já foi, ou ouviu falar, do Monumento Natural Centro Geodésico da América Latina. De lá, é possível ver, no horizonte, o Monumento Natural Morro de Santo Antônio, que marca o limite com o Pantanal. Tanto o Mirante quanto o Morro de Santo Antônio são unidades de conservação estaduais. Ambos estão interditados em razão de decisões judiciais e ambos precisam ser devidamente estruturados.

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Parques estaduais também existem em grande número no estado, distribuídos pelos três biomas. Alguns exemplos são o Parque Estadual Águas Quentes, em Santo Antônio de Leverger; o Parque Estadual Serra Ricardo Franco, em Vila Bela da Santíssima Trindade; o Parque Estadual da Serra Azul, em Barra do Garças; o Parque Estadual do Araguaia, em Novo Santo Antônio; o Parque Estadual Cristalino, em Alta Floresta e Novo Mundo; o Parque Estadual Encontro das Águas, em Poconé e Barão de Melgaço; e o Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul, em Nobres, entre outros. Esses parques enfrentam o mesmo desafio dos monumentos naturais: falta estrutura, falta divulgação e falta ordenamento para o turismo.

As estradas-parque, como a da Cachoeira da Fumaça; a MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães; a MT-370, entre Poconé e Porto Cercado; a Transpantaneira; e a MT-040/361, entre Santo Antônio de Leverger, Porto de Fora e Barão de Melgaço, são outro exemplo de locais onde o caminho se transforma em um momento mágico de contato com a natureza. Porém, todas elas precisam ser melhor estruturadas, principalmente para evitar mortes de animais e de pessoas em decorrência de colisões entre veículos e animais silvestres. É muito comum, em estradas como essas, ver animais mortos às margens da pista.

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As unidades de conservação estaduais podem ser importantes espaços de lazer e de contato com a natureza para a população mato-grossense. Também podem impulsionar o desenvolvimento sustentável e fortalecer o turismo. Porém, elas precisam entrar definitivamente na pauta política e receber os investimentos necessários. Se o Governo do Estado tivesse investido nas unidades de conservação estaduais os R$ 200 milhões que pretendia aplicar no Parque Nacional, hoje, com certeza, essas áreas estariam muito mais estruturadas. É preciso que o próximo governo olhe com a devida atenção para esse importante patrimônio natural de Mato Grosso.

Caiubi Kuhn, Geólogo, Doutor cotutela em Geociência e Meio Ambiente (UNESP) e Environmental Sciences (Universidade de Tubingen), Professor na UFMT, Presidente da Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO)

 

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