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Finanças

FMI vê alta de 3% no PIB do Brasil. Revisão é a maior entre as principais economias

Em julho, Fundo previa crescimento econômico de 2,1% para o país este ano. Estimativa para China cai para 4,8% e, para os EUA, avança a 2,8%. Alemanha deve ficar estagnada, com crescimento zero

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Na semana em que recebe autoridades de finanças de seus países-membros em sua sede, em Washington, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou hoje a mais nova versão do seu relatório periódico “World Economic Outlook”, que faz um panorama da economia global e dos principais países que a movimentam.

O Fundo revisou para cima sua projeção para o crescimento econômico do Brasil este ano, de 2,1%, que era a taxa prevista em julho, para 3% agora. A alta na projeção brasileira, de 0,9 ponto percentual, é a mais intensa entre as 16 principais economias globais elencadas pelo Fundo.

Mas o FMI vê um cenário menos auspicioso para o Brasil no ano que vem. A previsão para o avanço do PIB brasileiro em 2025 recuou ligeiramente, de 2,4% para 2,2%.
Consumo forte com geração de emprego

De acordo com o relatório, a melhora para a previsão do PIB brasileiro neste ano se deve a um desempenho mais forte que o esperado do consumo privado no país e dos investimentos no primeiro semestre devido à maior geração de empregos e à transferência de renda do governo por meio de programas sociais.

O Fundo também destaca consequências menores para o país com as enchentes no Rio Grande do Sul.
Isso significa que o Brasil deve ter um desempenho neste ano melhor que a previsão para toda a América Latina: 2,1% . Em 2025, a região deve ficar um pouco melhor: 2,5%.

Juros mais altos devem conter crescimento no Brasil em 2025

O relatório, no entanto, observa que a necessidade de manutenção de juros mais altos para conter a inflação no Brasil é o que explica a menor expectativa de crescimento em 2025, quando a política monetária pode se refletir em um esfriamento do mercado de trabalho.

A previsão atual do FMI para a economia brasileira se aproxima da projeção do governo Lula, que, no mês passado, revisou suas estimativas para o PIB de 2,5% para 3,2%. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse esperar que a economia cresça a uma taxa média superior a 2,5% ao ano durante o atual mandato de Lula, que termina em 2026.

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Nova fase para a economia global

O estudo, divulgado durante as reuniões anuais do FMI com autoridades de finanças dos países-membros, traça um panorama da economia mundial.
O relatório diz que a batalha global contra a inflação no pós-pandemia foi “largamente vencida”, mas alerta que ainda há pressões de preços persistentes. De acordo com as projeções do FMI, depois do pico de 9,4% ao ano no terceiro trimestre de 2022, a inflação mundial deve baixar a 3,5% no fim de 2025, abaixo da média entre 2000 e 2019, pré-pandemia.

Na maioria dos países, segundo o Fundo, a inflação está se aproximando das metas estabelecidas para seus bancos centrais. Apesar da onda de aperto monetário em todo o mundo para conter a inflação, o FMI destaca que a economia global se manteve resiliente, contrariando os temores dos economistas de uma recessão provocada por juros altos. Agora, as taxas básicas começam a cair, inclusive nas duas maiores economias do mundo, EUA e China.

Vencida a inflação global, o FMI, no entanto, aponta outros riscos para a economia no planeta, como a escalada de conflitos militares regionais (como na Ucrânia, na Faixa de Gaza e no Sudão) e seu impacto nas commodities, juros altos por mais tempo que o necessário e uma possível volta da volatilidade nos mercados financeiros com efeitos negativos no mercado de títulos soberanos de dívida e um crescimento mais moderado da economia chinesa.
O Fundo também alerta para os limites que o protecionismo crescente e o uso de políticas industriais podem impor ao comércio internacional.
Para o FMI, o declínio da inflação sem provocar uma recessão global é um resultado a se comemorar, resultado em taxas mais altas de crescimento econômico nas economias mais ricas e nas em desenvolvimento.

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Entre as economias avançadas, o crescimento previsto do PIB dos Estados Unidos neste ano é forte, segundo o FMI: 2,8% previstos, ante 2,6% na projeção anterior. Na Europa, uma recuperação modesta no crescimento é esperada neste ano, com retomada da produção próxima ao potencial do continente.
Nos mercados emergentes e países em desenvolvimento, o FMI espera crescimento de 4,2% neste ano – mesma projeção de julho -, com a continuidade de um desempenho robusto de países asiáticos.
Para a retomada do crescimento após a fase inflacionária, o FMI diz que há espaço para o que chamou de triplo pivô. O primeiro dos três instrumentos seria a política monetária, com queda dos juros já em curso nas principais economias, para incentivar o aumento da produção e o emprego. O relaxamento da política monetária nos países ricos permite que os emergentes também cortem juros, diz o FMI.

O segundo pivô é a política fiscal. O FMI tem alertado para o descontrole das dívidas soberanas no mundo, que pode somar US$ 100 trilhões no fim deste ano. O alto endividamento reduz os espaços orçamentários dos governos para investimentos e serviços para as populações. O relatório prega um aperto nos cintos:
“Após anos de afrouxamento na política fiscal em muitos países, é agora tempo de estabilizar a dinâmica de dívida e reconstruir as muito necessárias reservas orçamentárias”.

O que o FMI chama de terceiro “e mais difícil” pivô reside nas reformas estruturais. Segundo o relatório, há muito a se fazer nas estruturas institucionais e produtivas dos países para aumentar a produtividade e o potencial de crescimento das economias para lidar com problemas sociais como o envelhecimento e encolhimento da população em muitas regiões e o desafio de combater e lidar com as consequências das mudanças climáticas.

 

Por O Globo

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