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Injetam R$ 6,5 Bi

Estrangeiros fazem maior entrada na bolsa do Brasil em 13 anos

Venda da posição acionária da Cosan na Vale atraiu recursos gringos para a bolsa brasileira

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Os investidores estrangeiros injetaram R$ 6,5 bilhões no segmento secundário da B3 (negociações de ações listadas, ou seja, sem que haja novas emissões) na última quinta-feira, dia 16 de janeiro. O fluxo revela que a entrada de recursos gringos na bolsa brasileira foi bem mais expressiva que a retirada. E, de acordo com dados do Valor Data, este foi o maior valor diário de aporte do grupo para um dia pelo menos desde 2012, que marca o início da série histórica.

Naquele dia, no entanto, o Ibovespa – principal índice de ações da bolsa brasileira – ainda recuou 1,15%. E a culpa é de um sujeito geralmente pouco expressivo nas negociações diárias do mercado secundário: as empresas.

Uma, em específico: Cosan. Naquela quinta-feira, a empresa zerou sua participação acionária na Vale. Com a venda de mais de 173 milhões de ações da mineradora (cerca de 4% do capital social da companhia), embolsou pouco mais de R$ 9,1 bilhões.

O movimento não pode ser lido como reversão da tendência do fluxo gringo para a bolsa brasileira, portanto, mas como um fenômeno pontual.

 

Embora o fluxo das movimentações estrangeiras na bolsa brasileira tenha ficado positivo pela primeira vez em 2025 com a injeção de recursos da última quinta-feira, não há indícios de mudanças sustentáveis.

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No acumulado desde o começo do ano, a entrada de recursos gringos agora supera os saques em R$ 700 milhões. Mas, antes disso, o fluxo estava negativo em R$ 5,8 bilhões, com apenas uma sessão em que os aportes haviam ultrapassado os saques.

No dia 16 de janeiro, investidores institucionais (fundos de investimentos) compraram R$ 1,88 bilhão mais do que venderam de ações na bolsa brasileira na última quinta. Já as pessoas físicas injetaram outros R$ 397 milhões líquidos nas operações.

O fluxo comprador não foi massivo suficiente para contrabalancear o movimento da Cosan no pregão, por isso, a pressão vendedora ainda derrubou o Ibovespa naquela sessão.

O volume financeiro girado apenas nas negociações de ações da Vale foi de R$ 11,5 bilhões naquele dia, cerca de 720% a média diária movimentada pelo papel da mineradora nos últimos 12 meses, de R$ 1,4 bilhão.

Com isso, a liquidez da bolsa brasileira também subiu de forma expressiva naquela sessão. O Ibovespa movimentou R$ 24,6 bilhões, 49% mais que a média diária dos últimos 12 meses, de R$ 16,5 bilhões.

Virada de jogo

 

O grupo Outros, que acompanha as movimentações das empresas no mercado secundário, apresentou saída líquida de R$ 9 bilhões (justamente o movimento da Cosan), o que inverteu o fluxo acumulado neste ano para R$ 7,9 bilhões negativos. Em janeiro, até o dia 15, o saldo líquido estava positivo em R$ 1,2 bilhão.

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Mas essa virada tem impacto pontual, já que, isoladamente, tem pouca capacidade de mudar as perspectivas para a bolsa brasileira este ano. Na verdade, as movimentações de empresas no mercado de ações são historicamente baixas na comparação com os outros atores.

É o contrário do que aconteceria caso houvesse uma virada de humor entre os gringos.

O apetite dos estrangeiros pelo nosso mercado tem a capacidade de puxar outros investidores para as negociações.

Isso aconteceria porque os estrangeiros são a maior força motriz da B3, responsáveis por cerca de 55% do volume financeiro movimentado na nossa bolsa.

 

Neste cenário, os investidores institucionais viriam na esteira dos gringos. Os fundos, que fugiram da bolsa em 2024, já estão voltando para as ações – surfando um mercado com preços nas mínimas históricas. Mas podem acelerar o processo se virem chances de ganhos no curto prazo.

No acumulado do ano até o dia 16 de janeiro, os fundos de investimento aportaram R$ 5,1 bilhões líquidos na bolsa.

Por Valor Investe

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