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ALERTA MÉDICO

Popularização das canetas emagrecedoras acende alerta para tratamento sem acompanhamento

Especialistas alertam que medicamentos exigem mudança de hábitos, acompanhamento prolongado e tratamento individualizado
Divulgação

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 Por muito tempo, a obesidade foi tratada apenas como consequência de maus hábitos ou falta de disciplina. Com o avanço das pesquisas e abordagens terapêuticas, essa percepção vem mudando, ampliando o debate sobre a doença e formas de tratamento. Nesse sentido,  a popularização das “canetas emagrecedoras” colocou o tema no centro do debate público e acendeu o alerta para os riscos do uso sem avaliação profissional.

Dados do Vigitel, sistema de monitoramento do Ministério da Saúde, divulgados em 2025, apontam que o percentual de adultos com excesso de peso no Brasil saltou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. No mesmo período, os índices de obesidade mais que dobraram, saindo de 11,8% para 25,7%. O cenário segue uma tendência mundial e ganha a atenção de especialistas pelos impactos na saúde e na qualidade de vida.

Segundo a endocrinologista Dra. Patrícia Zach, do Hospital Dia Campo Limpo, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, entender a obesidade como uma doença crônica é um passo importante para quebrar estigmas e ajuda o paciente a compreender que o tratamento não tem prazo para acabar.

“É uma condição multifatorial e envolve alterações metabólicas, inflamação crônica e aumento do risco para diversas doenças. Hipertensão, diabetes, apneia do sono, asma, osteoartrite e alguns tipos de câncer estão entre os problemas associados.”

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Nesse contexto, as canetas emagrecedoras ganharam espaço pois se mostram bastante eficazes. O problema, segundo ela, é que o crescimento acelerado também deixa margem para distorções. A busca estética sem orientação profissional cresceu nos últimos anos, impulsionada por conteúdos nas redes sociais e promessas milagrosas.

Dra. Patrícia afirma que um dos erros mais comuns é acreditar que o medicamento, sozinho, resolverá o problema. Sem mudanças consistentes na rotina, os impactos podem aparecer rapidamente.

Entre as complicações do uso inadequado estão a pancreatite, colelitíase, alergias, anorexia e sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa muscular. Muitos pacientes apresentam essa perda porque não mantêm uma rotina de exercícios físicos. Outros sofrem com queda de cabelo acentuada por deficiência na ingestão de proteínas.

A médica reforça que o tratamento precisa ser contínuo e multidisciplinar, envolvendo uma avaliação, alimentação adequada, prática de atividade física e suporte individualizado.

“Como uma doença multifatorial, o acompanhamento correto se faz necessário para a atenção integral ao paciente, colaborando para a mudança dos hábitos”, destaca.

Quando bem indicados e orientados corretamente, os medicamentos podem trazer benefícios importantes além da redução do peso corporal.

Cuidado contínuo e acompanhamento no SUS

É justamente nesse ponto que a Linha de Cuidado da Saúde da Pessoa com Obesidade do CEJAM      busca ampliar o olhar sobre a doença. A linha organiza o atendimento de forma contínua e integrada nas unidades gerenciadas pela instituição, tendo a Atenção Primária como principal porta de entrada do cuidado.

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Na prática, o atendimento começa nas unidades básicas de saúde, com identificação dos casos, avaliação de risco e assistência inicial. Quando necessário, o paciente é encaminhado para a Atenção Especializada ou para serviços de alta complexidade, incluindo cirurgia bariátrica.

Para Clevia Pampolha, gerente da UBS Jardim São Bento, unidade da SMS-SP, também gerenciada pelo CEJAM, a continuidade do cuidado é essencial porque o foco não está apenas na redução do peso, mas também na melhora da saúde e no controle das doenças associadas.

“O tratamento clínico deve considerar também outras condições importantes, como ansiedade, depressão, transtornos alimentares, qualidade do sono, sedentarismo, condições hormonais e o contexto social e familiar do paciente”, explica.

O atendimento multiprofissional também é um dos pilares da Linha de Cuidado, reunindo médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e assistentes sociais na construção de um plano terapêutico individualizado.

“Cada profissional contribui com sua expertise para atender a pessoa de forma integral, considerando também sua realidade, dificuldades e potencialidades, promovendo uma atenção integral com resultados mais duradouros”, destaca Clevia.

A Linha de Cuidado também orienta que medicamentos para obesidade, incluindo as canetas emagrecedoras, sejam utilizados apenas como parte de um tratamento mais amplo e sob supervisão médica.

Por: Máquina Cohn & Wolfe

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