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Sapucaí

Oposição critica desfile homenageando Lula; Flavio e Novo dizem que vão pedir inelegibilidade

Flávio Bolsonaro acusa presidente usar dinheiro público para fazer homenagem a si mesmo; Sergio Moro diz que ‘faltou o carro da Odebrecht’
Ricardo Stuckert/PR

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A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira, 16, o desfile da Acadêmicos de Niterói homenageando o petista. O Partido Novo anunciou que acionará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a inelegibilidade do presidente.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, também criticou o petista e disse que ele usa dinheiro público “para fazer campanha antecipada pra ele mesmo”. O pré-candidato na eleição deste ano afirmou que também pretende entrar com uma ação contra Lula no TSE em razão do desfile.

“Lula esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada pra ele mesmo. Sim, o dinheiro do suor do povo trabalhador brasileiro, que deveria ser devolvido à sociedade em forma de serviços públicos de qualidade, está sendo torrado num desfile de carnaval na cara de todos os brasileiros”, declarou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no X.

Flávio disse ser “um crime o que está acontecendo hoje no carnaval do Rio”. Reclamou do fato de seu pai ter sido condenado no TSE por uma reunião com embaixadores. Não mencionou, porém, o motivo da condenação: o então presidente reuniu os representantes de outros países para fazer ataques sem provas ao sistema eleitoral.

“Jair Bolsonaro foi tornado inelegível, na mão grande, por uma reunião com embaixadores e por discursar num carro de som que não custou um centavo de dinheiro público. Isso não ficará impune! Vamos resgatar o nosso Brasil das mãos sujas do PT e devolver ao povo brasileiro!”, declarou.

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O Partido Novo e seu presidente foram na mesma linha de Flávio. “O desfile é uma peça de propaganda do regime Lula. Financiada com o seu dinheiro. Vamos à Justiça Eleitoral buscar a inelegibilidade”, afirmou o Novo em sua conta no X.

“O que denunciamos ao TSE está se confirmando ao vivo. Assim que o Lula registrar sua candidatura, o Partido Novo ajuizará uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), requerendo a cassação do registro e sua inelegibilidade. A lei deve ser igual para todos”, declarou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, nas redes sociais.

O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também criticou o desfile. Disse que “quando a cultura se mistura com a política, perde a cultura”. “Vale também para o desfile dessa escola de samba. No caso, ainda pior, concorrendo para um grave ilícito eleitoral. Propaganda antecipada com dinheiro do pagador de impostos. Rebaixamento é o mínimo que merece”, afirmou no X.

“E o problema era o Bolsonaro se encontrar com embaixadores. A interferência nas eleições, agora a de 2026, já começou. Vista grossa para um excesso noutro”, completou.

O senador e ex-juiz Sérgio Moro (União Brasil-PR) também comentou o desfile. Fez alusões à operação Lava Jato para ironizar o presidente Lula e disse que o desfile “foi um deprimente espetáculo de abuso do poder”.

“Faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula. Foi um deprimente espetáculo de abuso do poder, com enaltecimento de Lula, sem escândalos de corrupção, e com ataques aos adversários, tudo financiado pelo governo. A Coreia do Norte não faria melhor”, publicou no X.

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma comparação velada entre o desfile e a reunião com embaixadores que levou ao julgamento de inelegibilidade de Bolsonaro no TSE.

“Se esse desfile fosse em 2022, Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e o inegibilidade (sic) vitalícia”, disse em sua conta no X.

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) foi outro que fez alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Disse suspeitar que o Supremo Tribunal Federal atuaria para barrar um desfile desse tipo em homenagem ao ex-presidente.

“Vocês estão vendo essas imagens. Que dia que isso é carnaval? O que estão fazendo aqui é uma campanha eleitoral para o Lula. Vocês podem dizer: ‘Que implicância é essa?’. Imagina se fosse o contrário, o Bolsonaro como presidente, tendo financiado uma escola de samba com dinheiro público, fazendo um carro alegórico com a imagem do Lula preso. O que vocês acham que o STF teria feito?”, declarou em vídeo divulgado nas redes sociais.

O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse que como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí.

“O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado” disse ele em nota.

 

Por Estadão

 

 

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