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Violência

Ministério da Justiça aciona OAB por posts de advogados que satirizam mulheres que pediram revogação de medida protetiva

Ofício cita 31 profissionais de diferentes estados do país, as postagens viralizam ao debochar de pedidos de revogação de medida protetiva

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O Ministério da Justiça acionou o Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para cobrar providências contra advogados que estão publicando vídeos no TikTok satirizando mulheres que pediram a revogação de medidas protetivas após reatarem o relacionamento afetivo.

No documento são listados 31 advogados de diferentes estados do Brasil. O conteúdo das postagens é semelhante. O profissional aparece lendo um documento e dublando o funk “Baile de Marginal”, do DJ Zigão e MC Rodrigo do CN. “Elas gosta de baile de marginal… Quer foto estampada lá no Balanço Geral”, diz trecho da música. A postagem vem acompanhada do texto “pedindo o cancelamento da medida protetiva porque a cliente reatou com o amor da vida dela”.

Vídeos desse tipo estão viralizando. Uma das publicações tem 1,4 milhão de curtidas e 24,3 mil comentários. O autor dela, Wagner Jansen, foi procurado pela coluna, mas não quis se manifestar.

O ofício encaminhado à OAB é assinado pela secretária nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Sheila de Carvalho, e pela coordenadora da Bancada Feminina da Câmara dos Deputados, deputada Jack Rocha (PT).

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No texto, elas afirmam que a conduta dos advogados não é condizente com o código de ética e disciplina da OAB. Afirmam também que a violência doméstica é um fenômeno complexo que ocorre, muitas vezes, em situações de grande dependência emocional ou econômica entre a vítima e o seu algo. “Ao ridicularizar as mulheres que solicitam a revogação de medidas protetivas, os advogados menosprezam o sofrimento psíquico das vítimas, revitimizando-as”, diz trecho do documento.

O ofício destaca ainda que o Brasil apresenta números altos de feminicídios —foram 1.571 no ano passado, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“Os vídeos são um escárnio ao sistema de Justiça, perpetrado precisamente por aqueles e aquelas que o operam. Trata-se de uma atuação que viola os princípios mais comezinhos da prática advocatícia, como a obrigação de preservar a dignidade da profissão e a proibição de publicidade indiscreta.”

 

Por Folha de SP | Colina Mônica Bergamo |Karina Matias

 

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