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ONU

Lula ataca ingerência na eleição e manda recado a Trump: ‘O Brasil não cabe no quintal de ninguém’

Lula reforça defesa da soberania e do processo eleitoral brasileiro em discurso na ONU; delegação dos EUA não aplaude a fala do presidente
Divulgação

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou sua fala na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) para mandar um recado contra qualquer intervenção estrangeira na eleição brasileira. Ele ainda alertou que não irá tolerar um abalo na soberania nacional e insistiu que o processo eleitoral é “robusto”.

Em tom duro, Lula mandou diversos recados para Trump e indicou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.” Na platéia, a delegação dos EUA não aplaudiu o brasileiro e o secretário de Estado, Marco Rubio, sequer estava na sala.

“No dia 4, milhões de brasileiros vão à urnas. Vão decidir entre democracia e negacionismo”, disse Lula. “Se o Brasil vai a um futuro de mais oportunidade ou a um passado de exclusão”, alertou.

Segundo ele, o Brasil terá uma eleição “transparente e competitiva”. “Um pleito no qual os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão”, disse. Mas fez uma referência indireta ao movimento bolsonarista. “Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país”, disse.

“Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, alertou o presidente. Ele ainda concluiu: “A democracia brasileira pertence aos brasileiros”.

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Segundo ele, a América Latina vive “tentações hegemônicas”. E alertou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

Lula defendeu que a região precisa de uma agenda positiva e que diferenças ideologias não podem ser obstáculos para a integração.

“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zona de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constitui gestos anacrônicos”, disse.

Apesar de dizer que defende a luta contra o crime organizado, indicou que não irá aceitar “terceirizar a responsabilidade” de segurança das fronteiras. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, declarou.

O brasileiro ainda criticou a “chantagem” feita por Trump com as barreiras comerciais e insistiu que a exploração de terras raras vai ter de gerar benefícios aos brasileiros.

O discurso de Lula abriu a Assembleia Geral da ONU, evento que irá reunir 71 chefes de estado, 45 chefes de governo, 50 ministros e onze vice-presidentes ao longo dos próximos dias. Mas, desta vez, ele acontece ainda numa encruzilhada histórica da política brasileira. Às vésperas da eleição e sob ataques dos EUA, a decisão do governo foi a de usar a tribuna mais importante da diplomacia mundial para sair em defesa da democracia brasileira, do processo eleitoral e do princípios de que países não podem se meter nos assuntos domésticos de outros.

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O ICL Notícias antecipou, na semana passada, os principais pontos do discurso do presidente: soberania, democracia, a luta contra o crime organizado e a defesa do multilateralismo. Nesta terça-feira, ele seguiu o roteiro que havia sido construído nas últimas semanas no Palácio do Planalto e no Itamaraty.

Na bancada do Brasil na Assembleia estavam a primeira-dama, Janja, o chanceler Mauro Vieira, o assessor especial Celso Amorim, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, o ministro do Desenvolvimento, Wellington Dias, além do embaixador Audo Faleiro. O brasileiro retorna ainda hoje ao Brasil para retomar a campanha eleitoral.

 

Por ICL Notícias | Jamil Chade

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