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Economia

Entenda em 4 gráficos o que significam os sinais de desaceleração da economia brasileira

Varejo, serviços e indústria voltaram a recuar em dezembro; para 2025, analistas esperam números positivos no início do ano, impulsionados pela safra, mas projetam desaceleração no segundo semestre
Para analistas, mercado de trabalho ainda resiliente deverá continuar a influenciar positivamente o consumo das famílias Foto: Filipe Araújo/Estadão

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Os números mais recentes de 2024 divulgados sobre a economia brasileira confirmaram uma desaceleração da atividade econômica. Em dezembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou queda em serviços, comércio e indústria. Para o quarto trimestre, os analistas trabalham com a expectativa de que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) seja pior do que o observado nos três meses anteriores, quando o País cresceu 0,9%.

Em dezembro, as vendas do varejo recuaram 0,1%, o setor de serviços caiu 0,5% e a indústria registrou queda de 0,3% em relação a novembro. No acumulado do ano, no entanto, houve crescimento de 4,7%, 3,1% e 3,1% respectivamente.

Com dados tão negativos, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), uma espécie de prévia do PIB, recuou 0,73% em dezembro, embora o crescimento tenha sido de 3,8% no ano. A expectativa era de uma queda de 0,4% no último mês do ano, segundo o Projeções Broadcast.

“O resultado de dezembro veio em linha com os indicadores de atividade da indústria, do comércio e dos serviços, que têm desacelerado na margem (de um mês para o outro)”, afirmou o banco Pine, em relatório divulgado na segunda-feira, 17.

Depois da divulgação do IBC-Br, a mediana das previsões para o crescimento econômico do quarto trimestre passou de 0,5% para 0,4% — abaixo do avanço de 0,9% no período de julho a setembro, segundo o Projeções Broadcast. O número final do PIB do ano passado será divulgado pelo IBGE em 7 de março.

 

A avaliação dos analistas é a de que a economia brasileira deve ter crescido 3,5% no ano passado. Eles também esperam que 2025 seja marcado por uma desaceleração, sobretudo no segundo semestre.

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“Embora alguns sinais mais claros de desaceleração tenham surgido no quarto trimestre de 2024, ainda vemos fatores de resiliência no curto prazo que devem levar a uma aceleração no resultado do primeiro trimestre”, escreveu o banco Santander em relatório.

“Primeiro, a contribuição positiva das safras de grãos de verão deverá impulsionar a produção agrícola no período, seguindo a projeção de mais um ano de produção recorde de soja e milho. (…) Além disso, o mercado de trabalho ainda resiliente deverá continuar a influenciar positivamente o consumo das famílias, juntamente com um calendário favorável para transferências governamentais no primeiro semestre de 2025″, acrescentou o banco.

Para 2025, o Santander estima um avanço do PIB de 1,8%. No relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, os analistas consultados esperam um crescimento econômico semelhante, de 2,01%.

A economia brasileira deve perder força por conta, entre outros motivos, do aumento da taxa básica de juros — a Selic mais alta encarece o investimento para as empresas e o crédito para as famílias. Além disso, haverá um menor impulso fiscal — os gastos do governo para estimular a economia.

Com a inflação em alta, o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu um aumento de um ponto porcentual na taxa básica de juros, para 13,25% no mês passado. Na reunião de março, a expectativa é que o Banco Central promova uma nova alta de mesma magnitude. No relatório Focus, elaborado semanalmente pelo BC, os analistas consultados projetam que a Selic termine o ano em 15%.

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“Houve um crescimento forte ao longo dos últimos anos, puxado pelo impulso fiscal e pelo mercado de trabalho forte”, afirma Julia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco. “A economia deve ir desacelerando ao longo de 2025, e essa desaceleração vai ficar mais clara ao longo do segundo semestre do ano, porque é no segundo semestre que começaremos a ver o impacto da política monetária.”

Os juros mais altos e a inflação persistente têm minado a confiança do consumidor — num sinal de que o brasileiro está mais pessimista com a economia do País.

“O que tem pegado para o consumidor é a inflação e a taxa de juros muito alta. Os juros não vão ser resolvidos de uma hora para outra. É um problema de mais longo prazo”, afirma Anna Carolina Gouveia, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre).

Apurado pelo Ibre, o Índice de Confiança do Consumidor recuou pelo segundo mês seguido, para 86,2 pontos, e chegou ao menor nível desde fevereiro de 2023 (85,7 pontos). Em dezembro e janeiro, a queda acumulada foi de oito pontos.

 

“Para ter uma retomada da confiança, é necessária uma melhora nos preços e a manutenção de uma situação favorável no mercado de trabalho”, diz Anna Carolina.

 

Por Estadão

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