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Deputado é expulso do PL após criticar Trump e defender Moraes

Antônio Carlos Rodrigues estava na sigla desde 1990. A decisão, confirmada por Valdemar Costa Neto, ocorre em meio à pressão da bancada e ao alinhamento do partido com os EUA, no contexto das sanções americanas contra Moraes
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

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O PL expulsou, nesta quinta-feira 31, o deputado federal Antônio Carlos Rodrigues (SP) após o parlamentar sair em defesa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e fazer críticas a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. As declarações do político paulista foram dadas pouco após a aplicação de sanções da Lei Magnitsky Global contra o magistrado.

Em nota enviada no grupo de WhatsApp do Partido Liberal, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que a pressão da bancada pela expulsão foi “muito grande” e justificou a medida como necessária diante da “gravidade” das declarações de Rodrigues.

“Nossos parlamentares entendem que atacar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma ignorância sem tamanho. Trump é o presidente do país mais forte do mundo, o que precisamos é de diplomacia e de diálogo, e não de populismo barato que só atrapalha o desenvolvimento da nossa nação”, diz o texto enviado pelo presidente da sigla. “Chega de arrumar confusão. Temos que arrumar o Brasil”, completou Valdemar.

A expulsão ocorre um dia depois que o governo dos EUA anunciou sanções contra Alexandre de Moraes, acusando-o de liderar perseguições políticas, censura e detenções arbitrárias no Brasil. Em reação, Rodrigues disse que a medida norte-americana seria “o maior absurdo” que já viu em sua vida política. “O Alexandre é um dos maiores juristas do país, extremamente competente. Trump tem que cuidar dos Estados Unidos. Não se meter com o Brasil como está se metendo”, afirmou em entrevista publicada pelo site Metrópoles.

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A declaração foi considerada incompatível com a linha adotada pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é aliado de Trump e crítico e Moraes. Nos bastidores, dirigentes avaliaram que a permanência de Antônio Carlos Rodrigues no partido se tornava insustentável diante do agravamento da crise diplomática.

Rodrigues, convém registrar, é filiado ao PL desde 1990. Pelo partido, além de deputado, já foi vereador e senador. O político paulista também ocupou o cargo de ministro dos Transportes entre janeiro de 2015 e maio de 2016, no governo de Dilma Rousseff (PT).

No último fim de semana, ele já havia sinalizado um distanciamento dos correligionários ao comentar a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA para articular medidas contra autoridades brasileiras. Em entrevista publicada pelo site UOL, disse que o colega de partido deveria agir mais como parlamentar e menos como filho de Bolsonaro.

Na mesma conversa, ele também alfinetou a mudança recente na postura ideológica do PL desde a chegada de Bolsonaro. “Estou no mesmo lugar em que sempre estive. O PL sempre foi liberal, de centro”, disse. “Eu não mudei, eles que vieram e querem mudar o partido”, completou em referência aos aliados do ex-capitão.

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Rodrigues ainda não comentou a expulsão anunciada por Valdemar nesta quinta-feira.

 

Por Carta Capital

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