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Câmara dos Deputados

Conselho de Ética da Câmara arquiva processo de cassação de Janones por suposta rachadinha e sessão termina em confusão

Parlamentares aprovaram parecer do relator, deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que votou pelo arquivamente do caso

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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o arquivamento do processo de cassação aberto contra o deputado federal André Janones (Avante-MG), acusado de um suposto esquema de “rachadinha” em seu gabinete. A representação contra Janones foi apresentada por parlamentares do PL.

A sessão terminou em bate-boca. Deputados bolsonaristas, incluindo Nikolas Ferreira (PL-MG), cercaram Janones aos gritos de “rachadinha”. Em meio ao tumulto, houve também ameaças de agressão: Janones chamou Nikolas para resolver “lá fora”. Ambos partiram um para cima do outro e foram separados por seguranças da Câmara e outros parlamentares.

O placar da votação desta quarta ficou em 12 a 5 pela aprovação do parecer do relator, deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que votou pelo arquivamento do pedido de cassação.

Janones e parlamentares de oposição trocaram empurrões após a votação. O deputado foi escoltado pela Polícia Legislativa até a saída.

A representação contra Janones foi apresentada após dois ex-assessores do parlamentar afirmarem que ele cobrava funcionários lotados em seu gabinete na Câmara a repassar parte dos seus salários. O caso é investigado pela Polícia Federal.

Em entrevista ao GLOBO, Cefas Luiz Paulino e Fabrício Ferreira de Oliveira disseram que a prática envolvia até mesmo os valores recebidos como 13º e chegava a 60% dos vencimentos.

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No relatório, Boulos alega que as acusações contra Janones são anteriores ao exercício do mandato dele, que se iniciou em 2023. Segundo o pré-candidato à prefeitura de São Paulo, as suspeitas já eram de conhecimento público desde 2022.

“Não há justa causa, pois não há decoro parlamentar, se não havia mandato à época — o que foge do escopo, portanto, do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar — o mesmo caso visto agora”, escreveu o deputado.

Nesta quarta, Boulos voltou a argumentar que a discussão deve ser em torno do período em que o fato ocorreu.

— Nós não estamos aqui discutindo o mérito de rachadinha. Essa não é a discussão que o relatório faz e esse conselho está fazendo, essa é a discussão que a Justiça fará, e deve fazer — argumentou Boulos.

Janones também se defendeu das acusações aos seus colegas parlamentares.

— Abri mão do meu sigilo bancário, não tenho casa de R$ 14 milhões, não tenho loja de chocolate, não tenho nenhum patrimônio, que reduziu desde 2022. Então não teve nenhuma prova material — afirmou.

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Confusão

A sessão ficou marcada por tumultos e presença de parlamentares bolsonaristas, que discursaram contra Janones e Boulos, fazendo referência ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à pré–candidatura do deputado federal à prefeitura de São Paulo.

O coach Pablo Marçal, pré-candidato à prefeitura de São Paulo, foi levado à sessão desta quarta por parlamentares bolsonaristas. Boulos protestou contra a presença de Marçal e o acusou de “vender” a candidatura para o atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

— Trouxeram até coach picareta para vir tentar tumultuar a sessão, que eu espero, não sei se ainda está aqui o coach picareta, eu espero muito que não venda a candidatura para o prefeito Ricardo Nunes. Vá até o fim que eu quero te enfrentar nos debates — disparou Boulos.

Ao ouvir as acusações, o coach, que se filmava com um celular no momento, se levantou a protestou contra as declarações de Boulos.

— Não venda sua candidatura para o prefeito Ricardo Nunes porque tem gente falando que você já está vendendo — completou Boulos.

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