Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
Justiça

Após erro em registro, indígena busca reconhecer a própria mãe em documentos oficiais

Equívoco durante registro feito na aldeia levou assistido a procurar a Defensoria Pública para retificar certidão de nascimento e RG e comprovar a maternidade biológica

publicidade

Um erro no registro civil feito ainda na aldeia levou o indígena Malapuhuwa Mehinako a procurar atendimento no Defensoria Até Você – Edição Indígena, realizado em Gaúcha do Norte. Na documentação oficial, a mulher registrada como sua mãe é, na verdade, sua tia. Agora, com apoio da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), ele busca a retificação da certidão de nascimento e do Registro Geral (RG).

Segundo a família, na época em que o cartório foi até a aldeia para realizar os registros civis, dificuldades de comunicação e barreiras linguísticas acabaram provocando o equívoco no preenchimento da documentação, fazendo com que a tia fosse registrada como mãe.

A mãe biológica, Uleyru Mehinako, conta que carrega a dor dessa situação há anos e que o reconhecimento oficial representa mais do que uma correção burocrática.

“Eu sinto muita tristeza quando lembro que fiquei três dias em trabalho de parto e, mesmo assim, as pessoas não me reconhecem oficialmente como mãe do meu filho”, relatou.

De acordo com o defensor público José Edir, mesmo com a declaração da mãe biológica e o reconhecimento familiar, a comprovação genética é necessária para garantir segurança jurídica e permitir a atualização oficial dos documentos.

Leia Também:  Pacto pela Retomada: estados e municípios têm até 31 de março para responder diligências adicionais

“Mesmo com a afirmação da mãe e o reconhecimento dentro da própria família, é preciso realizar o exame de DNA para comprovar a maternidade. A partir dessa confirmação, será possível ajuizar a ação judicial para a retificação da certidão de nascimento e do registro civil”, explicou.

Confirmado o resultado positivo, Malapuhuwa deverá comparecer à Defensoria Pública de Paranatinga para apresentação do laudo e ajuizamento da ação judicial de retificação.

Casos como esse mostram como o acesso tardio ou inadequado à documentação básica ainda impacta diretamente a vida de muitas famílias indígenas, especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros.

Durante o Defensoria Até Você – Edição Indígena, serviços como retificação de registros, emissão de documentos, testes de DNA, orientações jurídicas e atendimentos sociais são oferecidos gratuitamente, garantindo mais cidadania e acesso a direitos para a população indígena e moradores da região.

 

Por  DPE-MT |  Janaiara Soares

 

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade