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Opinião

Os Desafios da Permanência no Ensino Superior

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“Qual faculdade você pensa em fazer no futuro? Faculdade? Eu já ganho mais que 5 médicos no mês”. De acordo com matéria do g1, portal de notícias da Globo, conteúdos que minimizam a importância do estudo vêm sendo propagados nas redes sociais por “influenciadores mirins” que ostentam a ideia de trabalho fácil e uma vida de luxo. Esses menores desdenham da educação e dizem ganhar muito dinheiro vendendo cursos.

 

O interesse pelo dinheiro fácil, uma rápida ascensão, com o mínimo de esforço, sem ingressar em um curso superior, por exemplo, se coloca com um desafio nos últimos anos. Além de dificuldades financeiras, emocionais e sociais, as tecnologias digitais e as redes sociais, impõem desafios ao ensino superior. O ingresso no ensino superior, antes um objetivo, passa a ser desvalorizado, questionado.

 

Os dados do Censo da Educação Superior de 2023 mostram os desafios e a urgência que recai sobre o ensino superior. Dados que apresentam o número de participantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mostram a evolução da participação entre os anos de 1998 e 2022, no entanto, a partir de 2017, observa-se uma queda, chegando a apenas 2,74 milhões de participantes em 2023. O Enem se consolidou como porta de entrada para o ensino superior, especialmente após a reformulação do exame em 2009, que o integrou ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU).

 

Essa queda pode estar relacionada a diversos fatores, entre os já mencionados, mas também a pandemia de COVID-19, mudanças na percepção sobre a universidade e o aumento da evasão escolar no ensino médio. Os dados apontam para um cenário recente de desengajamento estudantil, que aponta para desafios estruturais na educação brasileira. A queda no número de participantes deve ser analisada com atenção, pois pode refletir dificuldades de acesso, desinformação ou mesmo descrença no valor da formação universitária.

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Apesar das mudanças apontadas, que afetam diretamente os mais jovens, considerando sua vivência na Internet e nas redes sociais, o Censo Demográfico 2022 aponta que de 2000 a 2022, na população do país com 25 anos ou mais de idade, a proporção de pessoas que tinham nível superior completo cresceu 2,7 vezes: de 6,8% para 18,4%. Os dados permitem afirmar que ingressar no ensino superior ainda representa um passo importante na construção de uma carreira profissional. No entanto, permanecer na universidade e concluir o curso são etapas que impõem desafios tão grandes quanto o ingresso.

 

A evasão estudantil ainda é uma realidade preocupante no Brasil, refletindo uma série de fatores sociais, econômicos e institucionais que dificultam a permanência dos estudantes no ambiente acadêmico. Quando olhamos os indicadores da trajetória dos estudantes, com dados Censo da Educação Superior de 2023, a taxa de desistência gira em torno de 59%, indicando que mais da metade dos estudantes abandona o curso antes de concluir.

 

Muitos alunos precisam conciliar trabalho e estudo para garantir sua subsistência, o que pode afetar diretamente seu desempenho acadêmico, como também dificulta o acesso à educação superior. Os dados do Censo 2023 revelam a importância de programas voltados ao ensino superior como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Os indicadores de trajetória, calculados a partir do Censo da Educação Superior, apontaram, que esses programas impactam positivamente no índice de concluintes dos cursos de graduação no Brasil.

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Os dados e aspectos aqui levantados apontam para os desafios da educação superior. Com os mais jovens, é momento de demonstrar a relevância da formação superior, como caminho concreto e seguro para a construção de uma carreira profissional. Para estes, e também para os demais, é preciso fortalecer as políticas públicas existentes e desenhar outras cada vez mais eficientes e eficazes.

 

Diante da crescente desvalorização do ensino superior em determinados segmentos sociais, especialmente impulsionada por discursos disseminados nas redes sociais, os dados do Censo da Educação Superior de 2023 evidenciam a necessidade de ações estruturadas que promovam não apenas o acesso, mas também a permanência e a conclusão dos cursos de graduação. Nesse contexto, políticas públicas como o Prouni e o Fies se mostram estratégicas para mitigar desigualdades de acesso e fomentar a continuidade dos estudos. Reverter esse cenário requer uma articulação entre instituições de ensino, Estado e sociedade civil, com foco na valorização da educação superior como instrumento de desenvolvimento social.

 

Ana Graciela Mendes Fernandes da Fonseca Voltolini é doutora em Comunicação Social, com pós-doutorado pela UFMT. Desde 2011, atua como docente em cursos de graduação, atualmente é coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino (Unic/IFMT). Desenvolve pesquisas nas áreas de Comunicação e Educação, com foco em Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC), Multiletramentos e Educação Midiática.

 

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