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Furto de Energia

As concessionárias dos serviços de distribuição de energia elétrica no país registram perdas de mais de R$ 5 bilhões por ano com as ligações clandestinas, feitas principalmente em áreas onde se concentram populações de baixa renda. É o que revela pesquisa realizada pelo Instituto Acende Brasil.

O estudo destaca que essa conta é paga, na verdade, pelos consumidores que têm um relógio medidor instalado em sua residência, uma vez que a perda comercial decorrente dos furtos de energia elétrica – conhecidos como "gatos”, na maior parte do Brasil, ou como “macacos", na Região Nordeste – é rateada no consumo geral.

Segundo o presidente do Acende Brasil, Cláudio Sales, o valor dos furtos equivale à metade do que o governo gasta com o programa Bolsa Família. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) só reconhece a perda de 0,5% do potencial fornecido nas redes de distribuição, enquanto o total registrado é de 1,23%.Recomenda-se que as ligações clandestinas sejam denunciados por vizinhos, para que os consumidores que pagam a conta de luz só tenham que arcar com o que de fato consomem.

Para coibir as ligações irregulares, as concessionárias de energia elétrica já instalar ão cabos revestidos, mais seguros contra furto, colocados na parte mais alta dos postes. Outra medida que será adotada no país, consiste no emprego de medidores de energia elétrica controlados eletronicamente de forma centralizada, o que impossibilita o furto. Os medidores antigos já foram substituídos em algumas localidades, mas a ampliação da troca está parada, pendente de liberação desse instrumento pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Para tentar reduzir o furto de energia elétrica por meio de ligações clandestinas nos postes da rede pública, crime conhecido popularmente como "gato", a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pretende substituir os tradicionais relógios eletromecânicos, que fazem a medição do consumo mensal de energia dos imóveis residenciais, por equipamentos de medição eletrônica, que permitem fazer o controle de modo mais eficiente e em tempo real.

O plano da Aneel prevê a substituição, nos próximos anos, de 52 milhões dos 60 milhões de relógios eletromecânicos em operação no País, sem custo para o consumidor. A simples redução das perdas causadas por furto compensa o gasto de R$ 2,5 bilhões que as distribuidoras terão para instalar a nova tecnologia. Atualmente, 3 milhões de medidores eletrônicos já fazem a leitura da fatura mensal de imóveis residenciais, sob autorização da Aneel. A medida experimental trouxe resultados positivos para as distribuidoras de energia. Ela não atinge os consumidores industriais, que há algum tempo usam um sistema de leitura mais sofisticado.

O que justifica a substituição do sistema de medição de consumo de energia elétrica é o prejuízo que a proliferação desenfreada de "gatos" vem causando para as distribuidoras e para o próprio poder público. Segundo o presidente da Aneel, Jerson Kelman, as perdas têm sido de R$ 5 bilhões por ano, dos quais 45% são relativos a impostos federais e estaduais que deixam de ser recolhidos. Esses valores são tão altos que ameaçam o próprio equilíbrio econômico-financeiro de algumas distribuidoras, obrigando-as a cobrar tarifas mais caras para compensar a evasão de receita provocada pelas fraudes. "Quem paga parte desse prejuízo é o consumidor", diz Kelman.

Utilizando equipamentos eletrônicos, a nova tecnologia de medição de consumo dificulta a fraude, reduz em parte a necessidade de presença dos técnicos nas áreas mais problemáticas e tem um custo operacional muito inferior ao dos relógios eletromecânicos. Apesar de todos esses ganhos, a adoção da medição eletrônica vem esbarrando na resistência de políticos com força eleitoral em bairros pobres. Sob a bandeira demagógica da defesa do "direito dos consumidores", eles querem barrar os planos da Aneel.

A resistência que a Aneel vem enfrentando ao tentar acabar com o grave problema do furto de energia elétrica e os argumentos de natureza "social" invocados por políticos venais que se mobilizaram para impedi-la de cumprir sua obrigação funcional mostram o ponto a que chegou a afronta à ordem pública no País.



Fonte: da Redação